imerso
surgia como uma enxurrada
lavava-me o medo, a inocência
lavava-me a alma
era querer navegar sem saber nadar
era sentir-se repelido
às profundezas até então inexploradas
sugou-me expectativas e crenças
as quais definiam fronteiras
revelou-me egos, ritmos
vozes até então silenciadas
ouvia-se a ruptura a cada braçada
era como sentir-se mais perto de si
mais perto do desconhecido
era como unir-se a uma melodia descompassada
era um libertar-se que navegava em ondas
de onde partimos e deixamos partir
era um conhecer-se num eterno imergir
onde a verdade convertia-se em fôlego
e nos permitia seguir